O que é Estrabismo?
O estrabismo é uma doença ocular caracterizada pelo desalinhamento dos olhos. Em uma visão normal, ambos os olhos trabalham de forma coordenada e apontam para o mesmo objeto ao mesmo tempo, permitindo que o cérebro una as duas imagens em uma única percepção tridimensional.
Nas pessoas com estrabismo, essa coordenação é perdida. Enquanto um dos olhos fixa corretamente o objeto, o outro pode desviar para dentro, para fora, para cima ou para baixo.
O estrabismo não é um problema estético. Dependendo da idade em que surge e da causa do desalinhamento, ele pode comprometer o desenvolvimento da visão, a percepção de profundidade (visão binocular) e provocar visão dupla em adultos.
O estrabismo pode surgir desde o nascimento ou aparecer em qualquer fase da vida, acometendo crianças, adolescentes, adultos e idosos. As causas variam conforme a idade e o tipo de desvio, tornando fundamental a avaliação por um oftalmologista especializado.
Ao longo deste guia, você entenderá os diferentes tipos de estrabismo, suas principais causas, sintomas, formas de diagnóstico, opções de tratamento e quando a cirurgia pode ser indicada.
Quem pode ter estrabismo?
O estrabismo pode ocorrer em qualquer idade, embora seja mais frequente na infância.
Estima-se que a doença acometa entre 2% e 4% das crianças em todo o mundo, sendo uma das alterações oculares mais comuns na população pediátrica. Essa prevalência pode variar entre diferentes países e populações devido a fatores genéticos, étnicos e ambientais. 1
Apesar de ser frequentemente associado às crianças, o estrabismo também pode surgir na adolescência ou na vida adulta. 2
Nesses casos, o desalinhamento pode estar relacionado a doenças neurológicas, alterações musculares, doenças da tireoide, traumatismos ou outras condições sistêmicas que afetam os movimentos dos olhos.
Além da faixa etária, alguns fatores aumentam o risco de desenvolver estrabismo, como histórico familiar da doença, prematuridade, baixo peso ao nascer, determinadas síndromes genéticas e erros refrativos, especialmente a hipermetropia.
Independentemente da idade, qualquer desalinhamento ocular persistente merece avaliação especializada, pois o diagnóstico precoce pode evitar complicações e ampliar as chances de um tratamento eficaz.
Como funciona o alinhamento dos olhos?
Para que possamos enxergar corretamente, os dois olhos precisam trabalhar em perfeita sincronia.
Cada olho possui seis músculos extraoculares, responsáveis pelos movimentos oculares em diferentes direções. 3
Esses músculos atuam de forma coordenada, permitindo que ambos os olhos permaneçam alinhados enquanto acompanhamos um objeto em movimento, lemos um livro ou observamos uma paisagem.
Os seis músculos são:
- Reto medial: move o olho para dentro, em direção ao nariz.
- Reto lateral: move o olho para fora, em direção à orelha.
- Reto superior: movimenta o olho para cima.
- Reto inferior: movimenta o olho para baixo.
- Oblíquo superior: auxilia nos movimentos para baixo e para dentro, além da rotação interna do olho.
- Oblíquo inferior: auxilia nos movimentos para cima e para fora, além da rotação externa do olho.
Esses músculos são controlados por nervos cranianos e por centros especializados do cérebro responsáveis pela coordenação dos movimentos oculares. Qualquer alteração nesse complexo sistema — seja muscular, neurológica, mecânica ou sensorial — pode comprometer o alinhamento ocular e resultar em estrabismo.
Sugestão de infográfico: anatomia do olho mostrando os seis músculos extraoculares e suas principais funções.

Tipos de estrabismo
O estrabismo pode ser classificado de diferentes formas. Conhecer essas classificações ajuda a compreender por que pacientes com o mesmo diagnóstico podem apresentar causas, sintomas e tratamentos bastante diferentes.
Veja agora as principais classificações do estrabismo:
- Estrabismo congênito – presente desde o nascimento
- Estrabismo adquirido – surge após os primeiros meses de vida, podendo aparecer na infância, na adolescência ou na idade adulta.
- Estrabismo constante – o desalinhamento permanece presente o tempo todo.
- Estrabismo intermitente – o desvio aparece apenas em determinadas situações, como cansaço, distração, febre ou quando o paciente olha para longe.
- Estrabismo convergente (esotropia) – o olho se desvia para dentro (em direção ao nariz).
- Estrabismo divergente (exotropia) – o olho se desvia para fora (em direção à orelha).
- Estrabismo vertical – o olho se desvia para cima ou para baixo (hipertropia ou hipotropia).
Principais tipos de estrabismo na infância
Embora existam diversas formas de estrabismo, algumas são muito mais frequentes durante a infância.
Estrabismo congênito
Também chamado de estrabismo infantil, costuma surgir nos primeiros meses de vida. O desvio é geralmente convergente (para dentro) e constante. Como ocorre durante uma fase crítica do desenvolvimento visual, o tratamento precoce é fundamental para favorecer o desenvolvimento normal da visão.
Estrabismo acomodativo
É provocado pelo esforço excessivo para focalizar as imagens em crianças com hipermetropia. O estrabismo é convergente, ou seja, o olho se desvia para dentro, em direção ao nariz. Nesses casos, a correção adequada do grau com óculos costuma ser suficiente para alinhar os olhos, sem necessidade de cirurgia.
Estrabismo divergente intermitente
Caracteriza-se pelo desvio ocasional do olho para fora. Em muitos pacientes, o desalinhamento aparece apenas em situações específicas, como cansaço ou distração. A indicação do tratamento depende da frequência com que o desvio ocorre, do controle exercido pelo paciente e do impacto sobre a visão binocular. Esse tipo de estrabismo, por ser intermitente, pode passar despercebido pelos pais nas fases iniciais.
Estrabismo vertical
O desalinhamento ocorre no sentido vertical. Quando o olho fica mais alto que o outro, o quadro recebe o nome de hipertropia. Quando fica mais baixo, é chamado de hipotropia.
Esse tipo de estrabismo costuma estar relacionado a alterações dos músculos oblíquos, paralisias dos nervos que movimentam os olhos, doenças da tireoide, traumas ou outras condições neurológicas.
Estrabismo Paralítico
O estrabismo paralítico ocorre quando há comprometimento de um ou mais nervos cranianos responsáveis por controlar os músculos que movimentam os olhos. Como consequência, um ou mais músculos deixam de funcionar adequadamente, provocando o desalinhamento ocular.
Embora o nervo óptico seja essencial para a visão, os movimentos dos olhos dependem principalmente do funcionamento adequado dos III, IV e VI nervos cranianos. Alterações nesses nervos podem provocar estrabismo e, frequentemente, visão dupla (diplopia).

Saiba mais
Estrabismo Divergente Intermitente
Causas do Estrabismo
O estrabismo pode ter diferentes causas e nem sempre é possível estabelecer a origem exata da condição. Em muitos casos, especialmente na infância, existe uma combinação de fatores genéticos, alterações do desenvolvimento visual e condições neurológicas.
Já nos adultos, o aparecimento repentino do estrabismo merece investigação imediata, pois pode estar relacionado a doenças sistêmicas ou neurológicas que precisam de tratamento rápido.
Causas do estrabismo em crianças
Na infância, os fatores mais frequentemente associados ao estrabismo incluem:
- histórico familiar de estrabismo;
- prematuridade;
- baixo peso ao nascer;
- hipermetropia elevada;
- diferença importante de grau entre os olhos;
- síndrome de Down e outras síndromes genéticas;
- paralisia cerebral;
- retinopatia da prematuridade;
- alterações do sistema nervoso central;
- complicações durante a gestação ou no período neonatal.
É importante destacar que muitas crianças com estrabismo não apresentam nenhuma doença associada. Nesses casos, o desalinhamento ocular ocorre de forma isolada e pode ser tratado com excelentes resultados quando diagnosticado precocemente.
Causas do estrabismo em adultos
Nos adultos, o estrabismo pode estar relacionado a:
- doenças neurológicas;
- diabetes;
- hipertensão arterial;
- alterações da tireoide;
- traumatismos cranianos ou orbitários;
- doenças autoimunes;
- tumores;
- sequelas de estrabismo da infância.
Quando o desalinhamento surge de maneira súbita, principalmente acompanhado de visão dupla, o paciente deve procurar atendimento oftalmológico imediatamente. Em algumas situações, o estrabismo pode ser o primeiro sinal de uma doença que necessita de tratamento urgente, como um acidente vascular cerebral (AVC).
Nem todo estrabismo que surge na vida adulta é causado por uma doença grave, mas todo desalinhamento ocular de início súbito deve ser avaliado rapidamente por um oftalmologista.
Quais são os sinais e sintomas do estrabismo?
O principal sinal do estrabismo é o desalinhamento dos olhos. Mas, alguns pacientes podem apresentar algumas condições associadas ao estrabismo, como:
- fechar ou apertar um dos olhos sob luz intensa;
- inclinação constante da cabeça;
- dificuldade para perceber profundidade e distância;
- fadiga visual após leitura ou uso prolongado da visão de perto;
- dores de cabeça relacionadas ao esforço visual;
- visão dupla, principalmente em adolescentes e adultos.
Como uma criança com estrabismo enxerga?
Essa é uma das dúvidas mais comuns entre os pais. Ao contrário do que muitos imaginam, a maioria das crianças pequenas com estrabismo não enxerga duas imagens.
Isso acontece porque o cérebro infantil possui uma grande capacidade de adaptação. Para evitar a visão dupla, ele passa a ignorar a imagem enviada pelo olho desviado, passando a utilizar predominantemente a imagem do olho alinhado.
Esse mecanismo, chamado de supressão, impede que a criança perceba a diplopia, mas pode prejudicar o desenvolvimento normal da visão.
Quando essa situação permanece por muito tempo, aumenta o risco de surgir a ambliopia (olho preguiçoso), condição em que um dos olhos deixa de desenvolver todo o seu potencial visual.
Além disso, a criança pode apresentar redução da percepção de profundidade, maior dificuldade para calcular distâncias e menor coordenação em atividades que exigem precisão visual, como pegar uma bola, montar brinquedos ou praticar determinados esportes.
É justamente por isso que o diagnóstico precoce é tão importante durante a infância.
Como um adulto com estrabismo enxerga?
Nos adultos, a situação costuma ser diferente. Como o sistema visual já completou seu desenvolvimento, o cérebro normalmente não consegue ignorar uma das imagens. Por isso, quando o estrabismo aparece na adolescência ou na vida adulta, o sintoma mais comum é a visão dupla (diplopia).
O paciente passa a enxergar duas imagens do mesmo objeto, o que pode dificultar atividades simples do cotidiano, como ler, dirigir, caminhar, trabalhar no computador ou descer escadas.
Em alguns casos, a pessoa passa a inclinar involuntariamente a cabeça para reduzir a diplopia e adotar uma posição em que os olhos fiquem mais bem alinhados. Essa postura compensatória pode provocar dores no pescoço e desconforto muscular ao longo do tempo.
Diferentemente do que acontece nas crianças, o aparecimento súbito de estrabismo em adultos deve sempre ser investigado. Dependendo da causa, ele pode estar relacionado a alterações neurológicas, doenças vasculares, diabetes, problemas da tireoide ou outras condições que exigem tratamento específico.
Como é feito o diagnóstico do estrabismo?
O diagnóstico do estrabismo é realizado por meio de um exame oftalmológico completo. Mais do que confirmar o desalinhamento ocular, o objetivo da avaliação é descobrir a causa do problema, medir a intensidade do desvio e verificar como ele afeta a visão.
Essa investigação é fundamental para definir o tratamento mais adequado e identificar situações que exigem acompanhamento urgente, principalmente quando o estrabismo surge de forma repentina na vida adulta.
Avaliação clínica – Anamnese
O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre o histórico do paciente. No caso de crianças, o oftalmopediatra procura saber quando o desvio apareceu, se ele é constante ou intermitente, se existe histórico familiar de estrabismo, como foi a gestação e o período neonatal. Além disso, também avalia se há sintomas associados, inclinação da cabeça ou dificuldade para enxergar.
Avaliação do alinhamento ocular
Durante o exame, o oftalmologista infantil observa cuidadosamente o posicionamento dos olhos em diferentes direções do olhar.
Um dos primeiros testes realizados é o Teste de Hirschberg, que consiste em projetar um pequeno feixe de luz sobre os olhos e analisar a posição do reflexo luminoso na córnea. Quando os reflexos aparecem em posições diferentes, isso pode indicar a presença de estrabismo.
Esse teste é rápido, indolor e costuma ser um dos primeiros realizados durante a consulta.
Cover Test
O Cover Test é considerado o principal teste clínico para o diagnóstico do estrabismo. Durante o procedimento, o oftalmologista cobre alternadamente cada olho enquanto observa seus movimentos.
Esse teste permite identificar:
- presença ou ausência de estrabismo;
- qual olho está desviando;
- se o desvio é constante ou intermitente;
- se existe alternância entre os olhos;
- o tipo de estrabismo.
Além disso, o Cover Test auxilia na definição da estratégia de tratamento.
Medição do desvio
Depois de confirmar o diagnóstico, o próximo passo é medir o ângulo do estrabismo. Essa medida é realizada com prismas específicos e permite determinar a intensidade do desalinhamento, acompanhar sua evolução ao longo do tempo e planejar uma eventual cirurgia com maior precisão.
(colocar foto dos prismas)
Avaliação dos movimentos oculares
Também é realizada uma análise completa do funcionamento dos músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos. Durante essa etapa, o paciente acompanha um alvo em diferentes direções, enquanto o oftalmologista verifica se existe limitação ou movimentos oculares anormais.
Essa avaliação ajuda a identificar alterações musculares, paralisias dos nervos cranianos, doenças da tireoide e outros tipos de estrabismo mais complexos.
Exame de refração
O exame de refração é indispensável porque alguns tipos de estrabismo estão diretamente relacionados aos erros refrativos, principalmente à hipermetropia. Em muitas crianças, apenas a correção adequada do grau com óculos é suficiente para alinhar os olhos. Por isso, a avaliação refrativa faz parte da investigação de todos os pacientes.
Outros exames
Na maioria das crianças, o diagnóstico é feito apenas com o exame oftalmológico. Entretanto, quando o estrabismo surge de forma súbita — principalmente em adolescentes e adultos — ou está associado à visão dupla intensa, queda da pálpebra ou sintomas neurológicos, podem ser necessários exames complementares, como exames de imagem e laboratoriais, para investigar a causa.
O diagnóstico precoce faz diferença
Quanto mais cedo o estrabismo for identificado, maiores são as chances de preservar o desenvolvimento normal da visão. Nas crianças, isso significa reduzir o risco de ambliopia e favorecer o desenvolvimento da visão binocular.
Nos adultos, uma avaliação rápida pode permitir o diagnóstico precoce de doenças neurológicas ou sistêmicas potencialmente graves.
Como é feito o tratamento do estrabismo?
O tratamento varia de acordo com a idade do paciente, o tipo de estrabismo, a causa do desalinhamento e o impacto que ele provoca na visão. Por isso, não existe um tratamento único para todos os pacientes.
Após a avaliação oftalmológica, o especialista define a abordagem mais adequada para cada caso.
Na maioria dos casos, o tratamento do estrabismo é realizado por meio da cirurgia para corrigir o desalinhamento ocular. As principais exceções são o estrabismo acomodativo, em que a correção do grau com óculos costuma ser suficiente para alinhar os olhos, e alguns casos selecionados, principalmente em adultos, nos quais a toxina botulínica pode ser utilizada.
Saiba mais
Tratamento do estrabismo com toxina botulínica
Tratamento do Estrabismo Acomodativo
Cirurgia de estrabismo
A cirurgia é o principal tratamento para a maioria dos tipos de estrabismo que não podem ser corrigidos apenas com óculos ou outras abordagens específicas.
O objetivo da cirurgia é reposicionar os músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos para restabelecer o alinhamento ocular.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o procedimento não é realizado dentro do olho, mas exclusivamente nos músculos extraoculares.
A cirurgia pode ser indicada tanto para crianças quanto para adultos e apresenta altas taxas de sucesso quando a indicação cirúrgica é adequada e o planejamento é individualizado.
Em alguns pacientes, especialmente nos casos mais complexos, pode ser necessária mais de uma cirurgia ao longo da vida.
A cirurgia é segura?
Sim. A cirurgia de estrabismo é considerada um procedimento seguro quando realizada por um oftalmologista especializado. Como toda cirurgia, existem riscos, mas complicações importantes são incomuns.
O planejamento cirúrgico individualizado é um dos fatores que mais contribuem para bons resultados.
A cirurgia de estrabismo é realizada em centro cirúrgico. Contudo, o paciente volta para casa no mesmo dia, passando apenas algumas horas no hospital.
Adultos também podem operar?
Sim. Hoje sabemos que a cirurgia pode ser realizada em qualquer idade. Mesmo pacientes que convivem com estrabismo há muitos anos podem obter melhora significativa do alinhamento ocular, da autoestima e da qualidade de vida.
Durante muitos anos acreditou-se que apenas crianças poderiam se beneficiar da cirurgia. Hoje sabemos, com base em evidências científicas, que adultos também podem obter excelentes resultados funcionais e estéticos.
| Um estudo revelou que a cirurgia de estrabismo em adultos é efetiva para alinhamento dos olhos em 80% dos casos. Outra constatação importante da pesquisa é que a maioria dos adultos que passa pela correção do desvio dos olhos experimenta melhorias na função binocular, responsável pela visão de profundidade e de objetos em 3D. 4 |
Quer saber mais sobre a cirurgia?
Se você deseja entender como funciona a cirurgia, quais são os tipos de anestesia, como é o pós-operatório, quais são os riscos e quando ela é indicada, acesse nosso guia completo sobre cirurgia de estrabismo.
O que acontece se o estrabismo não for tratado?
Embora muitas pessoas ainda associem o estrabismo apenas à estética, a ausência de tratamento pode trazer consequências importantes para a visão, para o desenvolvimento visual e para a qualidade de vida.
A falta de tratamento pode trazer consequências importantes para a visão, especialmente em crianças. As complicações variam conforme a idade do paciente, o tipo de estrabismo e o momento em que o desalinhamento surgiu.
Ambliopia (olho preguiçoso)
Na infância, a principal complicação é a ambliopia, conhecida popularmente como olho preguiçoso. 5
Quando o cérebro passa a ignorar a imagem enviada pelo olho desviado, esse olho deixa de desenvolver todo o seu potencial visual. Sem tratamento, essa redução da visão pode tornar-se permanente.
Por esse motivo, o diagnóstico precoce é fundamental durante os primeiros anos de vida, fase em que o sistema visual ainda está em desenvolvimento.
Perda da percepção de profundidade
O desalinhamento dos olhos também pode comprometer a capacidade de perceber profundidade e distância. Essa alteração pode dificultar atividades como:
- praticar esportes;
- subir e descer escadas;
- estacionar um veículo;
- pegar objetos com precisão;
- realizar tarefas que exigem coordenação motora fina.
Embora muitas pessoas aprendam a compensar essa limitação ao longo da vida, ela pode interferir nas atividades escolares, profissionais e esportivas.
Link HUB ambliopia não temos
Visão dupla
Quando o estrabismo surge na adolescência ou na vida adulta, é comum provocar visão dupla (diplopia). Além do desconforto visual, esse sintoma pode dificultar a leitura, a direção de veículos, o trabalho e outras atividades do dia a dia.
O aparecimento súbito de visão dupla associado ao estrabismo exige avaliação oftalmológica imediata, pois pode indicar doenças neurológicas ou vasculares que necessitam de tratamento urgente.
Alterações posturais
Alguns pacientes passam a inclinar ou girar a cabeça para compensar o desalinhamento dos olhos. Essa postura pode aliviar temporariamente os sintomas, mas, quando mantida por longos períodos, favorece dores cervicais, tensão muscular e alterações posturais.
Impactos emocionais
O estrabismo também pode afetar a autoestima, as relações sociais e a qualidade de vida. Estudos mostram que crianças com estrabismo visível apresentam maior risco de sofrer bullying e exclusão social.
Nos adultos, o desalinhamento ocular pode causar insegurança, dificuldade para manter contato visual e impacto na vida profissional e nos relacionamentos. 6, 7
Felizmente, o tratamento pode melhorar não apenas o alinhamento dos olhos, mas também o bem-estar emocional e a autoconfiança.
Diversos estudos demonstram que o tratamento cirúrgico do estrabismo melhora significativamente indicadores de qualidade de vida, autoestima e interação social tanto em crianças quanto em adultos.
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Impactos psicossociais do Estrabismo
Estrabismo tem cura?
Essa é uma das perguntas mais frequentes nos consultórios. A resposta é sim: na maioria dos casos o estrabismo pode ser tratado com excelentes resultados.
Dependendo da causa, do tipo de desvio e da idade do paciente, é possível alinhar os olhos, preservar ou recuperar a função visual e proporcionar melhora significativa da qualidade de vida.
O mais importante é compreender que quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maiores são as chances de sucesso, principalmente durante a infância.
O estrabismo pode voltar?
Sim. Mesmo após um tratamento bem-sucedido, alguns pacientes podem apresentar novo desalinhamento ao longo dos anos.
Isso não significa, necessariamente, que a cirurgia tenha falhado. O estrabismo é condição que pode sofrer modificações ao longo da vida. Também pode sofrer influência do crescimento, do envelhecimento, de alterações neurológicas ou de outras condições clínicas. Quando isso acontece, uma nova avaliação permitirá definir a melhor estratégia de tratamento.
Segundo um estudo publicado na revista Nature, a taxa de reoperação do estrabismo, após a primeira cirurgia, é de aproximadamente 8% para o desvio divergente (exotropia) e de 15% para o desvio convergente (esotropia). Entretanto, essas taxas de reoperação podem variar de acordo com vários fatores, como demográficos, geográficos, de acesso a serviços de saúde, idade, entre outros. 8
Adultos também podem tratar o estrabismo?
Sim. Hoje sabemos que nunca é tarde para buscar tratamento. Além da melhora estética, o tratamento pode reduzir a visão dupla, melhorar o conforto visual, ampliar a qualidade de vida e devolver segurança nas atividades do dia a dia. Mesmo pessoas que convivem com estrabismo há décadas podem se beneficiar da avaliação de um especialista.
Saiba Mais
Tratamento do estrabismo em adultos
Perguntas frequentes
1. O que é estrabismo?
O estrabismo é uma doença ocular caracterizada pelo desalinhamento dos olhos. Enquanto um olho fixa corretamente um objeto, o outro pode desviar para dentro, para fora, para cima ou para baixo. O estrabismo pode comprometer o desenvolvimento da visão e a percepção de profundidade.
2. Quais são os primeiros sinais de estrabismo?
Os sinais mais comuns são:
- desvio de um dos olhos;
- desalinhamento que aparece apenas às vezes;
- fechar um dos olhos ao sol;
- inclinar a cabeça para enxergar melhor;
- visão dupla (principalmente em adultos).
3. É normal o bebê ficar vesgo?
Até aproximadamente os 4 meses de vida, é comum que o bebê apresente pequenos desalinhamentos ocasionais devido à imaturidade do sistema visual. No entanto, se o desvio persistir após os 4 meses de idade ou for constante, é importante procurar um oftalmologista.
4. Estrabismo pode desaparecer sozinho?
O estrabismo infantil não desaparece espontaneamente e deve ser avaliado por um oftalmologista. Ou seja, sempre será preciso tratar. Em adultos, dependendo da causa, o olho pode voltar ao normal quando a doença sistêmica (que causou o estrabismo) for tratada.
5. Estrabismo tem cura?
Sim. A maioria dos casos pode ser tratada com excelentes resultados. O tratamento pode incluir óculos, toxina botulínica ou cirurgia, dependendo da causa e do tipo de estrabismo.
6. Toda pessoa com estrabismo precisa fazer cirurgia?
Não. Alguns tipos de estrabismo, como o estrabismo acomodativo, costumam ser corrigidos apenas com o uso de óculos. Nos demais tipos, a cirurgia costuma ser o tratamento mais indicado. Ademais, alguns pacientes, especialmente os adultos, podem se beneficiar da toxina botulínica, para pequenos desvios.
7. Como é feita a cirurgia de estrabismo?
A cirurgia é realizada nos músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos, e não no globo ocular. O objetivo é fortalecer, enfraquecer ou reposicionar determinados músculos para restaurar o alinhamento ocular.
8. A cirurgia de estrabismo dói?
Durante a cirurgia, o paciente não sente dor, porque o procedimento é realizado com anestesia.
Após a cirurgia, é comum haver leve desconforto, vermelhidão e sensação de areia nos olhos, sintomas que costumam melhorar nos primeiros dias.
9. Adultos podem operar estrabismo?
Sim. O tratamento pode ser realizado em qualquer idade e proporciona benefícios importantes, como melhora do alinhamento ocular, redução da visão dupla e melhora da autoestima e da qualidade de vida.
10. Estrabismo pode voltar depois da cirurgia?
Pode. Embora a cirurgia apresente altas taxas de sucesso, alguns pacientes podem apresentar novo desalinhamento ao longo dos anos e necessitar de acompanhamento ou de um novo procedimento.
11. Estrabismo pode causar cegueira?
Não. O estrabismo não causa cegueira, mas pode provocar ambliopia (olho preguiçoso), levando à redução permanente da visão de um dos olhos quando não tratada precocemente.
12. Estrabismo é hereditário?
Existe um importante componente genético. Filhos de pessoas com estrabismo apresentam maior risco de desenvolver a doença, embora nem todos os casos tenham origem hereditária.
13. Quem tem estrabismo pode usar lentes de contato?
As lentes de contato podem corrigir o grau de alguns pacientes. Nos casos de estrabismo acomodativo causado pela hipermetropia, elas também podem contribuir para o alinhamento dos olhos, desde que corretamente prescritas pelo oftalmologista. Vale lembrar que
14. Estrabismo pode causar dor de cabeça?
Sim. Alguns pacientes, principalmente aqueles com estrabismo intermitente ou esforço excessivo para manter os olhos alinhados, podem apresentar fadiga visual e dores de cabeça.
15. O estrabismo pode aparecer na vida adulta?
Sim. O estrabismo pode surgir em qualquer idade. Nos adultos, ele pode estar relacionado a doenças neurológicas, diabetes, alterações da tireoide, traumatismos ou outras doenças oculares.
16. Estrabismo pode causar visão dupla?
Sim. A visão dupla é um dos sintomas mais comuns quando o estrabismo surge na adolescência ou na vida adulta, pois o cérebro já não consegue ignorar a imagem enviada pelo olho desalinhado.
17. O uso de celular causa estrabismo?
Não. Até o momento, não existem evidências científicas de que o uso de celulares, tablets ou computadores provoque estrabismo. Entretanto, o excesso de telas pode causar fadiga visual e contribuir para outros problemas oculares, como a progressão da miopia em crianças.
18. Como saber se meu filho tem estrabismo?
Se você perceber que um dos olhos da sua criança se desvia constantemente ou apenas em alguns momentos, procure um oftalmologista especialista em estrabismo. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores são as chances de preservar o desenvolvimento normal da visão.
19. Quando devo procurar um especialista em estrabismo?
A avaliação oftalmológica é recomendada sempre que houver:
- desalinhamento dos olhos;
- visão dupla;
- inclinação constante da cabeça;
- olho que “entorta” frequentemente;
- fechamento de um dos olhos ao sol;
- histórico familiar de estrabismo;
- aparecimento súbito do estrabismo em qualquer idade.
Mitos e Verdades
Estrabismo é apenas um problema estético.
❌ Mito.
O estrabismo vai muito além da aparência dos olhos. Quando não tratado, principalmente na infância, pode causar ambliopia (olho preguiçoso), perda da visão binocular, redução da percepção de profundidade e prejuízos permanentes para o desenvolvimento visual.
Além dos prejuízos visuais, o estrabismo também pode causar impactos importantes nos relacionamentos sociais, na autoestima, na vida acadêmica e na vida profissional.
Toda criança “desentorta” o olho quando cresce.
❌Mito.
Após os primeiros meses de vida, o desalinhamento persistente dos olhos não é considerado normal. Esperar que o estrabismo desapareça sozinho pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de perda visual permanente.
Todo estrabismo precisa de cirurgia.
❌Mito.
Nem todos os casos necessitam de cirurgia. Alguns tipos de estrabismo, como o estrabismo acomodativo, podem ser tratados apenas com óculos.
A cirurgia de estrabismo é feita no olho.
❌Mito.
A cirurgia não é realizada dentro do globo ocular. O procedimento atua exclusivamente nos músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos, reposicionando-os para restabelecer o alinhamento ocular.
Adultos não podem tratar o estrabismo.
❌ Mito.
O tratamento pode ser realizado em qualquer idade. Muitos adultos obtêm excelentes resultados com a cirurgia, incluindo melhora do alinhamento dos olhos, redução da visão dupla e ganho importante na qualidade de vida.
Estrabismo causa cegueira.
❌ Mito.
O estrabismo não provoca cegueira. Entretanto, quando não tratado durante a infância, pode causar ambliopia (olho preguiçoso), levando à redução permanente da visão de um dos olhos.
Quem tem estrabismo sempre enxerga duas imagens.
❌ Mito.
Nas crianças, geralmente o cérebro “desliga” a imagem do olho desviado para evitar a visão dupla. Já nos adultos, principalmente quando o estrabismo surge após um período de visão normal, a diplopia (visão dupla) é um sintoma bastante frequente.
Assistir televisão muito perto causa estrabismo.
❌ Mito.
Não há evidências científicas de que assistir televisão de perto provoque estrabismo. Em muitos casos, a criança aproxima-se da tela porque já apresenta alguma alteração visual que merece investigação.
O uso de celular provoca estrabismo.
❌ Mito.
Até o momento, não existem estudos que demonstrem que celulares, tablets ou computadores causam estrabismo. O excesso de telas pode provocar fadiga visual e contribuir para outros problemas oculares, mas não é considerado causa do estrabismo.
Estrabismo é sempre hereditário.
❌ Mito.
Existe uma predisposição genética importante, mas ela não explica todos os casos. Muitos pacientes não possuem histórico familiar da doença, enquanto outros apresentam estrabismo associado a erros refrativos, doenças neurológicas ou alterações do desenvolvimento. (1)
Crianças com estrabismo sempre enxergam mal.
❌Mito
Algumas crianças apresentam boa visão, principalmente quando alternam o olho que fixa os objetos. Outras podem desenvolver ambliopia. Por isso, apenas o exame oftalmológico consegue avaliar corretamente a visão de cada olho. Além disso, algumas crianças com estrabismo possuem erros refrativos, como miopia, astigmatismo e hipermetropia, que dificultam a visão.
A cirurgia de estrabismo serve apenas para melhorar a aparência.
❌ Mito.
O primeiro e principal objetivo da cirurgia de estrabismo é alinhar os olhos e garantir um bom desenvolvimento visual nas crianças.
Em adultos, pode reduzir ou eliminar a visão dupla em casos selecionados, corrigir posturas compensatórias da cabeça e proporcionar importantes ganhos na qualidade de vida. A cirurgia de estrabismo é considerada uma cirurgia reparadora e não estética.
Depois da cirurgia, o estrabismo nunca mais volta.
❌ Mito.
A cirurgia apresenta excelentes índices de sucesso, mas o estrabismo é uma condição dinâmica. Em alguns pacientes, especialmente nos casos mais complexos, o desalinhamento pode reaparecer ao longo dos anos, sendo necessário acompanhamento ou até um novo procedimento.
Pessoas com estrabismo não podem usar lentes de contato.
❌ Mito.
As lentes de contato podem ser utilizadas por muitos pacientes com estrabismo, desde que haja indicação do oftalmologista. Elas corrigem o grau dos olhos, mas não substituem o tratamento do desalinhamento ocular.
O estrabismo pode surgir em qualquer idade.
✅ Verdade.
Embora seja mais frequente na infância, o estrabismo também pode aparecer na adolescência, na vida adulta e até na terceira idade. Nesses casos, pode estar relacionado a doenças neurológicas, alterações da tireoide, diabetes, traumatismos ou outras condições que exigem investigação.
Quanto mais cedo o tratamento, melhores são os resultados.
✅ Verdade.
O diagnóstico precoce é um dos principais fatores para o sucesso do tratamento. Nas crianças, tratar o estrabismo nos primeiros anos de vida aumenta significativamente as chances de preservar a visão binocular e evitar a ambliopia. Nos adultos, uma avaliação rápida pode ajudar a identificar doenças neurológicas ou sistêmicas potencialmente graves.
Conclusão
O estrabismo é uma condição frequente, pode surgir em qualquer idade e vai muito além de uma alteração estética. Quando não tratado, pode comprometer o desenvolvimento visual, interferir na percepção de profundidade, provocar visão dupla e impactar significativamente a qualidade de vida.
Atualmente, a oftalmologia dispõe de recursos diagnósticos e terapêuticos capazes de tratar a maioria dos casos com excelentes resultados.
Por isso, qualquer suspeita de desalinhamento dos olhos deve ser avaliada por um oftalmologista especialista em estrabismo. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de preservar a visão e alcançar o melhor resultado possível.
Dra. Marcela Barreira – Oftalmopediatria – Estrabismo – Neuroftalmologia
CRM: 159.117 RQE 47519
A Dra. Marcela Barreira é oftalmopediatra, especialista em Estrabismo e Neuroftalmologia. Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou residência em Oftalmologia no Hospital Angelina Caron e obteve o Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), além da certificação do International Council of Ophthalmology (ICO).
Realizou Fellowship em Oftalmopediatria e Estrabismo na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde também atua como orientadora do Departamento de Estrabismo, e Fellowship em Neuroftalmologia pela Universidade de São Paulo (USP).
Atualmente, é Chefe do Setor de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), atende em consultório particular em São Paulo e realiza cirurgias nos hospitais Sírio-Libanês, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital 9 de Julho.
Referências bibliográficas
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