Arquivos binocularidade - Referência em Cirurgia de Estrabismo https://homolog.marcelabarreira.com.br/tag/binocularidade/ Oftalmologista infantil especialista em Estrabismo e Neuro Oftalmologia e, Dra. Marcela Barreira - CRM:159.117 - é formada pela Universidade do Paraná com Fellowship na USP e UNIFESP Wed, 24 Jun 2026 18:16:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://homolog.marcelabarreira.com.br/wp-content/uploads/2020/02/icone-100x100.png Arquivos binocularidade - Referência em Cirurgia de Estrabismo https://homolog.marcelabarreira.com.br/tag/binocularidade/ 32 32 Tratamento da ambliopia com terapia dicóptica – Como funciona https://homolog.marcelabarreira.com.br/tratamento-da-ambliopia-com-terapia-dicoptica-como-funciona/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/tratamento-da-ambliopia-com-terapia-dicoptica-como-funciona/#respond Thu, 14 May 2026 18:10:20 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=4674 O tratamento da ambliopia com terapia dicóptica já é uma realidade em vários países, embora ainda não esteja disponível no Brasil. Tradicionalmente, o tratamento mais conhecido para a ambliopia é o uso do tampão. Porém, nos últimos anos, novas pesquisas têm apontado que tecnologias, como videogames terapêuticos e realidade virtual, podem ajudar no tratamento do […]

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O tratamento da ambliopia com terapia dicóptica já é uma realidade em vários países, embora ainda não esteja disponível no Brasil.

Tradicionalmente, o tratamento mais conhecido para a ambliopia é o uso do tampão. Porém, nos últimos anos, novas pesquisas têm apontado que tecnologias, como videogames terapêuticos e realidade virtual, podem ajudar no tratamento do olho preguiçoso de forma complementar e mais interativa.

A ambliopia, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”, é a principal causa de redução visual unilateral na infância. A prevalência varia entre 1% e 5% das crianças. O problema acontece quando o cérebro passa a favorecer um dos olhos e reduz progressivamente o uso do outro durante o desenvolvimento visual. Por isso, popularmente a ambliopia é chamada de “olho preguiçoso”.

O que é ambliopia?

A ambliopia é uma alteração do neurodesenvolvimento visual. Isso significa que o problema não está apenas no olho, mas também na forma como o cérebro processa as imagens recebidas.

Ela costuma surgir na infância e tem diferentes causas, como:

  • Estrabismo;
  • Diferença de grau importante entre os olhos;
  • Catarata congênita;
  • Outras alterações que prejudiquem a visão normal durante o desenvolvimento infantil.

Na ambliopia, o cérebro ignora a imagem captada pelo olho que apresenta um desses problemas. Essa supressão, por tempo prolongado, especialmente na período crítico do desenvolvimento visual (entre os 2 e 4 anos), pode levar à perda da visão binocular. Portanto, a ambliopia é uma condição muito séria e precisa de tratamento precoce.

Tratamento da ambliopia com tampão ainda é o mais usado

O tampão ocular é utilizado para estimular o olho mais fraco. Ao cobrir o olho dominante, o cérebro é “obrigado” a usar o olho amblíope.

Embora seja um tratamento clássico e ainda muito importante, ele pode apresentar alguns desafios:

  • Desconforto;
  • Baixa adesão;
  • Vergonha em ambiente escolar;
  • Resistência da criança;
  • Abandono do tratamento.

Além disso, o tampão estimula um olho de cada vez, enquanto a visão normal depende do trabalho conjunto dos dois olhos.

Como funciona o tratamento da ambliopia com terapia dicóptica

O tratamento da ambliopia com terapia dicóptica representa uma nova abordagem para a condição. Nesse tipo de tratamento, a criança usa óculos de realidade virtual durante jogos de videogame, para estimular os dois olhos ao mesmo tempo. Isso favorece a visão binocular, ou seja, a capacidade de os olhos trabalharem juntos de forma equilibrada.

Na terapia dicóptica, imagens com contrastes diferentes são apresentadas para cada olho. O olho amblíope recebe estímulos de maior contraste, enquanto o olho dominante recebe imagens menos intensas. Isso faz com que o cérebro volte a integrar as informações visuais dos dois olhos, fortalecendo as conexões neurais responsáveis pela visão binocular.

Ao contrário do tratamento convencional com tampão, que busca “forçar” o uso do olho mais fraco ao bloquear o olho dominante, a terapia dicóptica não tem como objetivo suprimir um dos olhos. O foco é treinar ambos simultaneamente, promovendo uma melhora mais natural da visão.

Terapia dicóptica pode ser mais eficaz que o tampão?

Diversos estudos clínicos recentes demonstram que a terapia dicóptica pode apresentar resultados superiores aos métodos tradicionais de oclusão ocular em alguns casos de ambliopia. Além de exigir menos tempo de tratamento, a abordagem com jogos interativos costuma gerar maior engajamento das crianças, facilitando a adesão ao tratamento.

Os estudos também mostram melhora da acuidade visual corrigida e benefícios adicionais importantes, como o aumento da estereopsia — capacidade responsável pela percepção de profundidade e visão em 3D.

Acima de tudo, os tratamentos modernos passaram a focar não apenas na melhora da visão do olho ambliope, mas na recuperação da interação binocular. Essa mudança vem transformando a forma como a ambliopia é tratada nos últimos anos.

Principais benefícios do tratamento da ambliopia com terapia dicóptica

  • Melhora da acuidade visual;
  • Redução da supressão entre os olhos;
  • Melhora da visão binocular;
  • Maior engajamento das crianças durante o tratamento.

Um ponto importante observado pelos pesquisadores é que atividades lúdicas e interativas aumentam a adesão infantil, já que muitas crianças encaram o tratamento como uma brincadeira.

A terapia dicóptica substitui o tampão?

Ainda não completamente. Os estudos atuais mostram que a terapia binocular e a realidade virtual são ferramentas promissoras, mas que frequentemente apresentam melhores resultados quando associadas ao tratamento convencional, ou seja, ao tampão.

Sendo assim, a tecnologia não elimina a importância do acompanhamento oftalmológico nem substitui totalmente o uso do tampão, por enquanto. Portanto, cada criança precisa de uma avaliação individualizada.

Quanto mais cedo tratar, melhor

Um dos achados mais importantes das pesquisas é que crianças mais novas tendem a apresentar respostas mais rápidas e melhores resultados. Isso acontece porque o cérebro infantil possui maior plasticidade visual nos primeiros anos de vida.

Por isso, consultas oftalmológicas na infância são fundamentais para o diagnóstico precoce da ambliopia e de outras alterações visuais.

O futuro do tratamento da ambliopia

A tendência é que o tratamento da ambliopia se torne cada vez mais personalizado, interativo e adaptado à rotina da criança.

Atualmente, esses tratamentos ainda não estão disponíveis no Brasil. Contudo, a expectativa é que em breve estejam.

Conclusão

O tratamento da ambliopia com terapia dicóptica representa um avanço muito importante na área da Oftalmopediatria. Embora ainda não substitua completamente o tampão ocular, os estudos mostram que ela pode ajudar a estimular a visão binocular, aumentar o engajamento das crianças e potencializar os resultados terapêuticos.

O mais importante continua sendo o diagnóstico precoce e o acompanhamento com um oftalmopediatra, que poderá indicar a melhor abordagem para cada caso.

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 96902 8513

Fontes:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34534556/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37203032/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35938643/

 

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Estrabismo divergente intermitente leva ao desvio do olho para fora https://homolog.marcelabarreira.com.br/estrabismo-divergente-intermitente-leva-ao-desvio-do-olho-para-fora/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/estrabismo-divergente-intermitente-leva-ao-desvio-do-olho-para-fora/#respond Thu, 22 Jan 2026 19:35:07 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=4300 O estrabismo divergente intermitente é uma condição ocular em que um dos olhos se desvia para fora, na direção das orelhas, de vez em quando. Embora seja um dos tipos mais comuns de estrabismo, pode demorar para ser percebido pelos pais. Segundo a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em Estrabismo e chefe do Serviço […]

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O estrabismo divergente intermitente é uma condição ocular em que um dos olhos se desvia para fora, na direção das orelhas, de vez em quando. Embora seja um dos tipos mais comuns de estrabismo, pode demorar para ser percebido pelos pais.

Segundo a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em Estrabismo e chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), no estrabismo divergente intermitente o desalinhamento não está sempre presente: a criança pode parecer com os olhos alinhados em alguns momentos e, em outros, um dos olhos desvia para fora.

“Na verdade, o desvio costuma se tornar mais evidente quando a criança está cansada, distraída, doente ou olhando para algo distante — situações em que a capacidade de manter os olhos alinhados fica mais difícil”, conta a oftalmopediatra.

O estrabismo divergente intermitente costuma aparecer por volta dos 2 anos ou mais. Contudo, pode aparecer antes, embora não seja comum.

Sinais e sintomas do estrabismo divergente intermitente

O principal do estrabismo divergente intermitente é o desvio do olho para fora, que pode vir e ir ao longo do tempo. Contudo, algumas crianças podem apresentar outros sintomas e sinais, como:

  • Fechar um dos olhos em ambientes com muita luz;
  • Dificuldade em perceber profundidade ou distância;
  • Visão dupla em alguns casos;
  • Preferência por usar um olho mais do que o outro.

Qual a causa do estrabismo divergente intermitente?

Primeiramente, é importante esclarecer que nem sempre é possível identificar a causa do estrabismo divergente intermitente e nem das outras formas de estrabismo. Por outro lado, temos alguns fatores que podem ter relação com esse tipo de desvio. Entre eles estão:

  • Histórico familiar de estrabismo;
  • Prematuridade e/ou baixo peso ao nascer;
  • Tabagismo durante a gestação;
  • Doenças neurológicas;
  • Retinopatia da prematuridade;
  • Outras complicações neonatais.

O que pode acontecer se não tratar o estrabismo divergente intermitente?

“Acima de tudo, é importante que os pais entendam que o estrabismo não é uma questão estética. Na verdade, em crianças com estrabismo, o cérebro pode começar a ignorar as imagens vindas do olho desviado. Com o tempo, isso pode levar à ambliopia — o chamado “olho preguiçoso” — em que o cérebro privilegia o olho bom em detrimento do outro”, alerta Dra. Marcela.

“Portanto, se isso acontece na fase crítica do desenvolvimento visual – entre os 2 e 4 anos -, os danos podem ser permanentes. Sendo assim, uma das principais funções do tratamento do estrabismo divergente intermitente é garantir o desenvolvimento adequado da visão binocular, que é essencial para que os dois olhos trabalhem juntos e para que se possa perceber profundidade e estímulos tridimensionais com clareza”, complementa a oftalmologista infantil.

Tratamento do estrabismo divergente intermitente – o que você precisa saber

O tratamento padrão para o estrabismo divergente é a cirurgia de estrabismo. A principal recomendação é fazer o procedimento por volta dos 4 anos e sempre antes dos 7 anos, idade em que o sistema visual está completo. Portanto, a correção precoce é crucial para prevenir a ambliopia e problemas oculares em outras fases da vida.

Além da cirurgia, o oftalmologista pode recomendar outras estratégias complementares, como:

  • Uso de óculos especiais, quando há necessidade de correção de erros refrativos, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia;
  • Tampão ocular para estimular o olho com visão mais fraca, quando há ambliopia associada;

A importância do acompanhamento de crianças com estrabismo

Vale lembrar que toda criança precisa passar em consultas oftalmológicas de rotina desde o nascimento. Caso os pais percebam o desvio do olho para fora ou em outras direções, a recomendação é procurar um oftalmologista infantil.

“Quando a criança possui estrabismo, o acompanhamento ao longo da infância é muito importante, mesmo após a cirurgia. Em alguns casos, o desvio pode aparecer de novo ou a criança pode desenvolver erros refrativos, que irão precisar de tratamento também. Por fim, um recado importante para os pais é que a visão é crucial para o desenvolvimento global da criança. Assim, cuidar da visão deve fazer parte dos cuidados ao longo da infância”, finaliza Dra. Marcela.

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

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Novos tratamentos para a ambliopia – Confira quais são https://homolog.marcelabarreira.com.br/novos-tratamentos-para-a-ambliopia-confira-quais-sao/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/novos-tratamentos-para-a-ambliopia-confira-quais-sao/#respond Thu, 19 Jun 2025 12:36:21 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=3517 Os novos tratamentos para a ambliopia devem chegar ao Brasil em breve. Alguns já estão disponíveis em países como os Estados Unidos. Outros ainda estão em fase de desenvolvimento. De qualquer maneira, o mais importante é que existe uma perspectiva positiva para a chegada de novos tratamentos para a ambliopia, que possam ser efetivos e […]

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Os novos tratamentos para a ambliopia devem chegar ao Brasil em breve. Alguns já estão disponíveis em países como os Estados Unidos. Outros ainda estão em fase de desenvolvimento. De qualquer maneira, o mais importante é que existe uma perspectiva positiva para a chegada de novos tratamentos para a ambliopia, que possam ser efetivos e mais bem aceitos pelas crianças.

 

Para falar um pouco mais sobre os novos tratamentos para a ambliopia, hoje vamos entrevistar a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista em estrabismo e Chefe do Serviço de Neuroftalmologia do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).

 

Ambliopia atinge de 2 a 5% das crianças

 

A ambliopia, popularmente conhecida como “olho preguiçoso”, é uma condição que se desenvolve exclusivamente na infância. Em cerca de 50% dos casos, a ambliopia tem ligação com o estrabismo, desvio do eixo ocular. Adicionalmente, erros refrativos e doenças oculares, como catarata e glaucoma congênitos, também podem levar ao desenvolvimento do olho preguiçoso.

 

“A ambliopia ocorre quando um dos olhos não se desenvolve adequadamente, devido à presença de alguma outra condição. No estrabismo, por exemplo, o cérebro ignora a imagem captada pelo olho com o desvio, passando a favorecer a imagem captada pelo olho saudável. Com isso, o desenvolvimento do olho com o estrabismo fica prejudicado”, explica Dra. Marcela.

 

A falta de tratamento da ambliopia pode comprometer o desenvolvimento da visão binocular. Em outras palavras, a criança pode não desenvolver a capacidade de enxergar em 3D e em profundidade. Como resultado, podem surgir dificuldades ao longo do desenvolvimento, principalmente nos estudos. Ademais, na vida adulta podem ocorrer impedimentos para exercer certas profissões, como, por exemplo, a de piloto de avião.

Vale lembrar que a ambliopia também pode ocorrer quando há uma diferença muito grande de grau de um olho para o outro, ou ainda quando a criança apresenta uma doença que priva o olho do estímulo visual. Entre essas doenças estão a catarata e glaucoma congênitos e a ptose palpebral.

 

Tampão é o único tratamento disponível no Brasil

 

Primeiramente, é importante reforçar que no Brasil o único tratamento disponível para a ambliopia é o uso do tampão. “A terapia de oclusão ocular consiste no uso de um tampão no olho saudável, para estimular o desenvolvimento do olho “preguiçoso”. Acima de tudo, é crucial esclarecer que o tampão não trata o estrabismo, nem as demais condições, como erros refrativos, catarata, glaucoma e ptose”, reforça Dra. Marcela.

 

Em outras palavras, essas condições precisam de tratamento específico. O estrabismo, por exemplo, necessita da correção cirúrgica. Para corrigir os erros refrativos, a criança deve usar óculos. Já nas demais condições, como catarata e glaucoma congênitos, são necessários outros tratamentos. Portanto, o tampão é voltado, exclusivamente, para incentivar o desenvolvimento da visão no olho comprometido por outras condições oftalmológicas.

 

Novos tratamentos para a ambliopia – O que há de novo em desenvolvimento

 

Dito isso, vamos falar sobre os novos tratamentos para a ambliopia. Uma das abordagens terapêuticas, ainda em fase de estudos pré-clínicos, é a tetrodotoxina (TTX).

 

“Trata-se de uma neurotoxina cuja ação terapêutica é o bloqueio temporário da função do olho saudável. Dessa maneira, seu uso pode forçar o cérebro a usar o olho amblíope, criando novas conexões com o cérebro. A forma de aplicação é por meio de uma injeção, aplicada diretamente na retina saudável”, comenta Dra. Marcela.

 

Embora em fases iniciais, o uso da substância levou à recuperação completa da resposta visual em todos os modelos animais. Além disso, o que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato da boa resposta, mesmo após a fase crítica do desenvolvimento da visão.

 

Outra pesquisa em andamento, ainda em fases iniciais, consiste em um medicamento de pequena molécula, chamado de Neu-001. O foco desse neuropeptídeo é alterar o mecanismo neuronal envolvido na ambliopia. Leia mais aqui.

 

Treinamento dicóptico usa videogame para tratar ambliopia

 

Uma novidade, que já está disponível em alguns países, é o treinamento dicóptico. De uma maneira mais didática, é uma espécie de videogame em que a criança joga como os dois olhos abertos, enquanto usa óculos especiais, semelhantes aos usados para apreciar um eclipse solar.

 

Sendo assim, esses óculos possuem uma lente azul e a outra vermelha. Durante o uso, a criança assiste a um conteúdo específico, fornecido pela empresa detentora da tecnologia, que funciona como uma espécie de “videogame”.

 

Ao longo do treinamento, o oftalmologista consegue monitorar, remotamente, a posição do eixo visual da criança em tempo real. O aplicativo desfoca o centro da visão do olho dominante, enquanto fornece ao olho preguiçoso uma imagem normal e nítida.

 

“Dessa maneira, ocorre um estímulo visual que obriga o olho amblíope a processar as imagens. Portanto, o treinamento resulta na necessidade de os dois olhos trabalharem juntos, algo fundamental para assegurar o desenvolvimento da visão binocular”, reforça a oftalmologista infantil.

 

Outro tratamento já disponível nos Estados Unidos é o uso de realidade virtual (RV). Por meio de um óculos RV, a criança assiste aos programas favoritos, incentivando os dois olhos a trabalharem juntos.

 

Novos tratamentos para ambliopia focam na neuroplasticidade

 

Enfim, há muitos estudos em andamento para desenvolver novos tratamentos para a ambliopia. Contudo, a maioria deles tem como foco usar a capacidade de o cérebro gerar novas conexões neurais, ou seja, a neuroplasticidade. Ademais, o uso da tecnologia, incluindo a Inteligência Artificial, devem ser os principais tratamentos para a ambliopia nos próximos anos.

 

“Dessa maneira, os resultados que temos acesso mostram que essas terapias funcionam, mesmo depois da fase crítica do desenvolvimento visual. Portanto, até mesmo adultos podem se beneficiar das novas terapias”, comenta Dra. Marcela.

 

Diagnóstico e tratamento precoces são a chave para bons resultados  

 

A ambliopia é uma das principais causas de baixa visão em crianças. Portanto, é crucial realizar o diagnóstico o quanto antes, para que o tratamento possa assegurar o desenvolvimento da visão binocular.

 

“Todas as causas da ambliopia são detectáveis e tratáveis, mas para isso é preciso conscientizar os pais a respeito da importância das consultas oftalmológicas de rotina, desde os primeiros meses de vida. O diagnóstico e o tratamento precoces da ambliopia ainda são a chave para garantir um bom desenvolvimento da visão”, finaliza Dra. Marcela.

 

Dra. Marcela Barreira é  oftalmopediatra, especialista em estrabismo e neuroftalmologista. 

 O consultório fica em São Paulo, capital.

Para mais informações, ligue para (11) 3846 02 00

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

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O que é estrabismo divergente? Sinais e Tratamento https://homolog.marcelabarreira.com.br/o-que-e-estrabismo-divergente-sinais-e-tratamento/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/o-que-e-estrabismo-divergente-sinais-e-tratamento/#respond Thu, 08 Aug 2024 17:50:18 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=2722 Hoje, vamos falar um pouco mais sobre o estrabismo divergente. Nessa forma de estrabismo, o olho se desvia para fora, em direção às orelhas. Outra característica importante é que o desvio é intermitente, ou seja, o desalinhamento não é constante. Por esse motivo, o diagnóstico pode ser um pouco mais tardio. Segundo a oftalmopediatra Dra. Marcela […]

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Hoje, vamos falar um pouco mais sobre o estrabismo divergente. Nessa forma de estrabismo, o olho se desvia para fora, em direção às orelhas. Outra característica importante é que o desvio é intermitente, ou seja, o desalinhamento não é constante. Por esse motivo, o diagnóstico pode ser um pouco mais tardio.

Segundo a oftalmopediatra Dra. Marcela Barreira, especialista em estrabismo, o estrabismo divergente intermitente pode aparecer nos primeiros meses ou anos de vida. O mais comum é perceber o desvio após os 6 meses de vida. O desvio do olho para fora pode passar despercebido pelos pais e até mesmo pelo pediatra.

“A razão é justamente a intermitência, ou seja, ora o olho está alinhado, ora desalinhado. Geralmente, o desvio acontece quando a criança está cansada, doente, desatenta, quando olha para imagens mais distantes ou ainda quando há muita luz no ambiente, especialmente a luz natural”, explica.

Causas do desvio do olho para fora

A origem exata do estrabismo divergente não é um consenso na comunidade científica. Contudo, existem fatores que podem aumentar o risco de a criança desenvolver o estrabismo divergente, bem como outras formas de desvio.

“Nem sempre é possível determinar a causa do estrabismo divergente. A condição pode ser resultado da combinação de uma série de fatores, como os genéticos (casos da condição na família), ambientais (problemas na gestação e no período neonatal), doenças sistêmicas e erros refrativos”, comenta a especialista.

Sinas e sintomas

O sinal mais evidente do estrabismo divergente é o desvio do olho para fora, nas situações já citadas, como em momentos de desatenção, cansaço e doença. Outro indício importante é quando a criança fecha um dos olhos quando há muita claridade. Por fim, estudos recentes apontaram que há uma prevalência maior de miopia em crianças com o estrabismo divergente intermitente. Mas, nem todas as crianças com o desvio para fora têm miopia.

Como é o tratamento para o estrabismo divergente intermitente

O tratamento padrão para o estrabismo divergente intermitente é a cirurgia. A diferença para outras formas de estrabismo é que o desvio para fora é menos prejudicial para o desenvolvimento da visão.

“Por esse motivo, costumamos esperar um pouco mais para operar a criança. Contudo, vale ressaltar que a cirurgia deve ser feita antes dos 7 anos idades e, preferencialmente, entre os 2 e 4 anos, período considerado crítico para o desenvolvimento visual”, reforça Dra. Marcela.

Estrabismo divergente não é questão estética

Tanto o estrabismo divergente, como as outras formas de desvio, não são questões estéticas. Isso é um mito que precisa ser esclarecido. O estrabismo na infância, quando não tratado, pode acarretar prejuízos definitivos na visão binocular. Um dos principais problemas é o desenvolvimento da ambliopia, mais conhecido como “olho preguiçoso.

“Essa condição acontece quando o cérebro passa a priorizar a imagem captada pelo olho saudável e suprime a imagem do olho com o desvio. Essa supressão, por tempo prolongado, prejudica o desenvolvimento da visão binocular, essencial para enxergarmos um campo visual maior, bem como para dar a noção de profundidade e para vermos imagens em 3D”, aponta Dra. Marcela.

O tratamento do estrabismo divergente visa ao alinhamento do eixo visual para evitar o desenvolvimento da ambliopia e garantir o desenvolvimento pleno da visão. “Quando a criança já tem ambliopia, além da cirurgia, será preciso também usar o tampão para incentivar o desenvolvimento do olho afetado pelo estrabismo. Contudo, é importante dizer que o tampão não trata o estrabismo, mas sim o olho preguiçoso”, finaliza a oftalmopediatra.

Quer saber mais sobre a cirurgia de estrabismo divergente, como funciona e como é o pós-operatório? Leia mais aqui

Dra. Marcela Barreira é neuroftalmologista, é oftalmopediatra e especialista em estrabismo. 

 O consultório fica em São Paulo, na região dos Jardins.

Para mais informações, ligue para (11) 3266-2768

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Estrabismo: o que é, tipos e tratamento https://homolog.marcelabarreira.com.br/estrabismo-tipos-tratamento/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/estrabismo-tipos-tratamento/#respond Wed, 24 Jul 2024 18:01:32 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=2714 Hoje, o tema do nosso artigo é estrabismo, tipos e tratamento. Para iniciar, é importante esclarecer que estrabismo é o nome dado ao desalinhamento do eixo visual, popularmente chamado de “vesguice”. Na maioria dos casos, o estrabismo se desenvolve na infância e pode afetar de 3 a 5% das crianças. Contudo, o estrabismo também pode […]

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Hoje, o tema do nosso artigo é estrabismo, tipos e tratamento. Para iniciar, é importante esclarecer que estrabismo é o nome dado ao desalinhamento do eixo visual, popularmente chamado de “vesguice”. Na maioria dos casos, o estrabismo se desenvolve na infância e pode afetar de 3 a 5% das crianças. Contudo, o estrabismo também pode aparecer na vida adulta.

Segundo Dra. Marcela Barreira, oftalmopediatra especialista em estrabismo, a principal característica da condição é o desvio de um ou dos dois olhos. O desvio pode ser constante ou ocorrer de vez em quando, o que é chamado de desvio intermitente. O estrabismo pode ocorrer quando o olho se desvia para dentro, chamado de convergente, bem como pode ocorrer quando o olho se desvia para fora, chamado de divergente. Temos outros tipos de estrabismo, que ocorrem quando o olho se desvia verticalmente”, explica.

Um dos principais mitos sobre o estrabismo é que se trata de uma condição estética. Na verdade, o desalinhamento do eixo visual, sem tratamento, pode levar a problemas na visão irreversíveis, como a perda da visão binocular. Para além disso, pode impactar no desenvolvimento neuropsicomotor, bem como no processo de aprendizagem. Sendo assim, o diagnóstico e o tratamento do estrabismo na infância são cruciais para assegurar todos os aspectos do desenvolvimento das crianças”, alerta Dra. Marcela.

Conheça melhor os principais tipos de estrabismo

Antes de falarmos mais sobre as causas e tratamento do estrabismo, vamos conhecer um pouco melhor os principais tipos de estrabismo.

Estrabismo convergente congênito

Neste tipo de estrabismo, o bebê já nasce com o desvio do olho para dentro (estrabismo convergente). Este é o tipo mais comum de estrabismo, sendo o que mais pode causar problemas na visão, como a perda da visão binocular. “Por esse motivo, o estrabismo congênito requer tratamento mais precoce. A cirurgia para correção do desvio pode ser realizada ainda no primeiro ano de vida do bebê”, comenta Dra. Marcela.

Estrabismo acomodativo

O estrabismo acomodativo se caracteriza pelo desvio do olho para dentro (convergente), mas está associado à hipermetropia. Na tentativa de enxergar de perto, a criança apresenta o desalinhamento do olho para dentro. Este é o único tipo de estrabismo que não necessita de cirurgia, sendo que o uso de óculos para corrigir a hipermetropia é suficiente para alinhar os olhos.

Estrabismo divergente intermitente

O estrabismo divergente intermitente se caracteriza pelo desvio do olho para dentro, em direção às orelhas. Contudo, ele é intermitente: ora o olho está alinhado, ora desalinhado. Por essa razão, o diagnóstico costuma ocorrer mais tardiamente, já que o desvio pode passar despercebido pelos pais e até mesmo pelo pediatra.

Estrabismo Paralítico

O estrabismo paralítico é aquele em que o desvio dos olhos está relacionado a alterações nos nervos que conectam a cabeça ao cérebro. Algumas formas de estrabismo paralítico são mais prevalentes em adultos, estando associadas a tumores cerebrais, aneurismas e acidente vascular cerebral (AVC).

“O estrabismo associado à paralisia do IV Nervo Craniano é o mais prevalente na infância. Apesar de mais comum, pode passar desapercebido com mais facilidade, uma vez que o desvio é, praticamente, imperceptível e não afeta a estética. O estrabismo, nestes casos, é vertical e dá a impressão de um olho está um pouco mais alto que o outro”, conta a médica.

O estrabismo do IV Nervo Craniano tem uma manifestação bastante peculiar, que é a inclinação lateral da cabeça. A criança adota posições anormais para conseguir enxergar melhor e compensar o desvio. Portanto, o torcicolo ocular é um importante indício deste tipo de estrabismo.

Causas do estrabismo – O que você precisa saber

A causa exata do estrabismo ainda é motivo de estudos. O que se sabe até o momento é que existe um forte componente genético. Em outras palavras, filhos de pais com estrabismo apresentam um risco maior de apresentar a condição.

Em relação aos fatores ambientais, as evidências científicas mostram que o risco do estrabismo na infância está associado a alguns aspectos, como:

  • Idade materna avançada
  • Tabagismo durante a gravidez
  • Baixo peso ao nascer (menos que 1,5kg)
  • Prematuridade
  • Síndromes genéticas, como a trissomia do cromossomo 21
  • Complicações neonatais
  • Diferença de grau muito grande entre os olhos

Nos adultos, o estrabismo está relacionado a doenças, principalmente àquelas que afetam o cérebro e o sistema nervoso central, bem como à traumas e acidentes oculares.

Tratamento do estrabismo – Entenda por que é preciso corrigir o desvio dos olhos

Agora que você já conheceu melhor o que é o estrabismo e os tipos, vamos falar mais sobre a necessidade de tratamento e o que pode acontecer quando não se trata a condição.

De acordo com Dra. Marcela, o desenvolvimento visual ocorre na infância e se completa até por volta dos 7 anos de idade. Nesse período, a criança desenvolve várias funções visuais, entre elas a visão binocular. “A visão binocular é a capacidade do cérebro em fundir as imagens captadas pelos olhos em uma só. Essa capacidade é crucial para a noção de profundidade, ou seja, para enxergamos as imagens em 3D”.

“Todavia, crianças com estrabismo tendem a desenvolver a ambliopia, popularmente chamada de “olho preguiçoso”. O cérebro passa a ignorar a imagem captada pelo olho com o desvio. Quando essa supressão ocorre por tempo prolongado, no período crítico para o desenvolvimento da visão – entre os 2 e os 7 anos de idade – pode ser irreversível. Ou seja, o cérebro irá sempre favorecer a imagem captada pelo olho com a melhor visão, reduzindo assim a capacidade visual do olho com o desvio”, aponta a especialista.

A visão binocular é essencial ao longo da vida e, sem ela, haverá limitações diversas, incluindo a incapacidade para desenvolver algumas profissões, como piloto de avião, médico cirurgião, entre outras.

Tratamento do Estrabismo em crianças

O tratamento do estrabismo consiste no realinhamento do eixo ocular. Hoje, o tratamento padrão para o desvio ocular é a cirurgia. No caso das crianças, a cirurgia deve ser realizada antes dos 7 anos de idade.

“No caso do estrabismo convergente, o ideal é operar assim que é feito o diagnóstico. Já no desvio divergente intermitente, é possível esperar um pouco mais, até por volta dos 4 anos de idade. A cirurgia realinha os olhos, na maioria dos casos. É um procedimento seguro, tranquilo e com rápida recuperação”, conta Dra. Marcela.

Há casos em que não há indicação de cirurgia, como o estrabismo acomodativo, em que o desvio é solucionado por meio do uso de óculos para corrigir a hipermetropia.

Tratamento do estrabismo em adultos

O estrabismo em adultos também pode ser corrigido por meio de cirurgia, mas sempre depende da causa. “Alguns estrabismos em adultos estão relacionados a doenças como um AVC. A tendência, nestes casos, é que o olho volte ao normal ao longo do tempo. Mas temos adultos que tiveram estrabismo na infância e que desejam corrigi-lo na vida adulta. Portanto, o tratamento do estrabismo em adultos sempre depende de uma avaliação individual e da causa”, acrescenta Dra. Marcela.

Um outro tipo de tratamento para o estrabismo é a aplicação de toxina botulínica, indicada para pequenos desvios ou para estrabismo paralítico.

Conclusão

Hoje falamos sobre estrabismo, tipos e tratamento. Como vimos ao longo do artigo, o estrabismo é uma condição que se desenvolve na infância, na maioria dos casos. Não se trata de uma questão estética, mas sim de uma condição que precisa de diagnóstico e tratamento para prevenir problemas irreversíveis na visão.

“A recomendação é levar o bebê em seu primeiro ano de vida para uma consulta com um oftalmopediatra. O acompanhamento da saúde visual ao longo da infância é crucial para garantir uma boa visão e para assegurar o pleno desenvolvimento global da criança”, finaliza Dra. Marcela.

Dra. Marcela Barreira é neuroftalmologista, é oftalmopediatra e especialista em estrabismo. 

 O consultório fica em São Paulo, na região dos Jardins.

Para mais informações, ligue para (11) 3266-2768

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O tratamento precoce do olho preguiçoso com o tampão (terapia de oclusão ocular) ainda é a principal abordagem terapêutica para essa condição. Para além disto, um estudo recente, publicado no The Lancet, apontou que o uso do tampão durante 5 semanas melhorou a acuidade visual em 74% das crianças que participaram da pesquisa.

Contudo, ficou claro que a eficácia depende fortemente da idade, ou seja, o tratamento precoce do olho preguiçoso é crucial para obter os resultados esperados.

O olho preguiçoso, chamado de ambliopia, afeta de 3 a 5% das crianças. A condição reduz a melhor acuidade visual corrigida, em um ou em ambos os olhos. É uma patologia que se desenvolve na infância e, quando não tratada, pode trazer consequências negativas para o resto da vida.

Segundo Dra. Marcela Barreira, oftalmopediatra especialista em estrabismo, a ambliopia está associada à dificuldade do cérebro em fundir as imagens captadas pelos olhos, na presença de certas condições oftalmológicas. O olho preguiçoso pode ocorrer em crianças com estrabismo, erros refrativos ou ainda com doenças oculares congênitas, como glaucoma e catarata.

“Estas condições fazem com que os olhos captem imagens diferentes. O cérebro escolhe a imagem captada pelo olho saudável e passa a suprimir a imagem captada pelo olho com as alterações. No estrabismo, por exemplo, o cérebro ignora a imagem captada pelo olho desalinhado. O problema é que essa supressão, por tempo prolongado, principalmente no período considerado crítico para o desenvolvimento visual – entre os 2 aos 7 anos de idade, pode ser irreversível”, alerta Dra. Marcela.

Tratamento precoce do olho preguiçoso é crucial para o desenvolvimento da criança

O olho afetado por uma das causas da ambliopia não terá a mesma chance de se desenvolver e, como resultado, a criança não desenvolve a visão binocular. A perda dessa capacidade visual pode trazer diversos impactos negativos ao longo da vida.

Alguns estudos apontam que crianças que não tiveram um tratamento precoce do olho preguiçoso podem sofrer consequências no desenvolvimento neuropsicomotor. Isto pode se refletir em dificuldades no processo de aprendizagem, na prática de esportes, bem como pode acarretar restrições profissionais na vida adulta.

Tratamento precoce do olho preguiçoso depende do diagnóstico

“Um dos principais entraves para o tratamento precoce do olho preguiçoso é o diagnóstico em idade favorável para o tratamento, ou seja, por volta dos dois anos. Em geral, os pais não têm o costume de levar as crianças para consultas oftalmológicas de rotina. Temos algumas razões para isto, como falta de acesso a oftalmologistas e a falta de conhecimento sobre a importância da saúde visual para o desenvolvimento infantil”, comenta Dra. Marcela.

Outro problema é que, dificilmente, uma criança vai se queixar sobre problemas para enxergar. Para além disto, temos que levar em consideração que a ambliopia surge em idades em que a criança ainda não fala.

Portanto, a única maneira de realizar o tratamento precoce do olho preguiçoso é levar o bebê ao oftalmopediatra em seu primeiro ano de vida. Após a primeira consulta, é recomendado consultas anuais para avaliar o desenvolvimento visual.

Tratamento precoce do olho preguiçoso com tampão – O que você precisa saber

“O tratamento com o tampão apresenta ótimos resultados na melhora da visão das crianças com ambliopia. Vale reforçar que o tampão trata o olho preguiçoso, ou seja, quando a criança tem estrabismo é preciso também corrigir o desvio por meio de uma cirurgia. Quando a ambliopia é causada por erros refrativos, é preciso também os corrigir. Já a ambliopia por privação de estímulo depende do tratamento das causas”, reforça Dra. Marcela.

“Em relação ao uso do tampão, há certos desafios. Muitas crianças relutam em seguir o tratamento e pode ser bastante desafiador para os pais. Contudo, é a abordagem que temos disponível no Brasil e, conforme diversos estudos, pode trazer bons resultados quando indicado e feito de forma precoce”, finaliza a oftalmopediatra.

Dra. Marcela Barreira é neuroftalmologista, é oftalmopediatra e especialista em estrabismo. 

 O consultório fica em São Paulo, na região dos Jardins.

Para mais informações, ligue para (11) 3266-2768

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O que é diplopia – Tudo que você precisa saber https://homolog.marcelabarreira.com.br/o-que-e-diplopia/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/o-que-e-diplopia/#respond Thu, 02 May 2024 18:10:42 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=2669 A diplopia, mais conhecida como visão dupla, é uma condição em que a pessoa enxerga duas imagens em vez de uma. Primeiramente, é importante reforçar que a diplopia não é uma doença, mas sim um sintoma relacionado a outra condição ou patologia. Segundo Dra. Marcela Barreira, neuroftalmologista e especialista em estrabismo, a diplopia pode ter […]

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A diplopia, mais conhecida como visão dupla, é uma condição em que a pessoa enxerga duas imagens em vez de uma. Primeiramente, é importante reforçar que a diplopia não é uma doença, mas sim um sintoma relacionado a outra condição ou patologia.

Segundo Dra. Marcela Barreira, neuroftalmologista e especialista em estrabismo, a diplopia pode ter várias origens, desde doenças neurológicas, como um aneurisma, até problemas na tireoide. “Temos os casos da diplopia relacionados à descompensação de estrabismos prévios, a tumores cerebrais e a doenças neuromusculares, como a miastenia”.

Geralmente, a diplopia atinge adultos ou crianças maiores, que já passaram pelo desenvolvimento visual. Mesmo crianças com estrabismo, não apresentam visão dupla, graças à capacidade do cérebro ignorar a imagem duplicada na fase do desenvolvimento visual.

Tipos de diplopia

A visão dupla pode ser monocular, quando afeta apenas um dos olhos e binocular, quando afeta os dois olhos. “A diplopia monocular ocorre quando há distorção da transmissão da luz até a retina, gerando duas imagens. Uma das imagens é normal e a outra de qualidade inferior”, explica a especialista.

As causas mais comuns da visão dupla monocular são catarata, ceratocone, erros refrativos não corrigidos e cicatrizes na córnea.

“A diplopia binocular ocorre quando os olhos estão desalinhados. A pessoa enxerga duas imagens nítidas e de boa qualidade. Contudo, o cérebro não consegue fundi-las em uma única. Muitas vezes, a pessoa tenta compensar a visão dupla entortando a cabeça para determinadas posições”, comenta Dra. Marcela.

“Na maioria dos casos, a visão dupla binocular está associada a problemas nos nervos e músculos que controlam os movimentos oculares. Uma das principais causas é a paralisia dos nervos cranianos. Também temos casos associados à miastenia grave, síndrome de Guillain-Barré, oftalmopatia de Graves, tumores cerebrais, traumas oculares, acidentes vasculares cerebrais e estrabismos descompensados”, adiciona a médica.

Além da visão dupla

A diplopia pode vir acompanhada de outras manifestações como embaçamento visual, dor ocular, fotofobia (sensibilidade à luz), ardência nos olhos, olhos saltados e fraqueza muscular. “O alerta é que a visão dupla não é normal e pode indicar problemas graves, como um AVC. Portanto, ao perceber o sintoma, é preciso procurar um pronto-socorro assim que possível”, alerta Dra. Marcela.

Diagnóstico da visão dupla é complexo

Como mencionamos acima, a visão dupla não é uma doença, mas uma manifestação associada a outras patologias. De qualquer maneira, o diagnóstico da doença de base depende de uma avaliação do histórico de saúde do paciente, exame físico e testes complementares.

“Para descobrir, por exemplo, se a visão dupla é monocular ou binocular, é preciso tampar um dos olhos. Quando a imagem duplicada desaparece, trata-se da diplopia binocular e quando permanece, indica a visão dupla monocular. Fazemos vários exames durante a consulta para avaliar a acuidade visual, o posicionamento das pálpebras, bem como a pressão intraocular, estado da retina, nervo óptico, entre outros testes necessários para fechar o diagnóstico”, comenta Dra. Marcela.

Normalmente, o diagnóstico depende de mais de uma especialidade médica e de exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética. Mas, não são todos os pacientes que precisam destes exames. Além disto, alguns casos de diplopia desaparecem sem tratamento. Por outro lado, a avaliação ainda é importante.

Tratamento da diplopia depende da causa e da doença de base

De forma geral, o tratamento da doença de base tende a resolver a visão dupla. Os estrabismos descompensados, por exemplo, podem ser corrigidos cirurgicamente. Outros casos são temporários e se resolvem espontaneamente. Por fim, o tratamento das doenças que podem causar a visão dupla tende a amenizar a visão dupla.

“O mais importante é alertar a população de que o surgimento da visão duplicada é um sinal de alerta para procurar ajuda médica assim que possível. Muitas vezes, o diagnóstico imediato pode prevenir complicações mais sérias, como nos casos dos derrames e aneurismas cerebrais, por exemplo”, finaliza Dra. Marcela.

Dra. Marcela Barreira é neuroftalmologista, é oftalmopediatra e especialista em estrabismo. 

 O consultório fica em São Paulo, na região dos Jardins.

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Novidades no tratamento da ambliopia são anunciadas em congresso nos EUA https://homolog.marcelabarreira.com.br/tratamento-da-ambliopia/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/tratamento-da-ambliopia/#comments Thu, 25 Apr 2024 19:40:42 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=2665 Tratamento da ambliopia ganha novas abordagens No último congresso da AAPOS (American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus), que ocorreu no último mês de abril, nos Estados Unidos, foram apresentadas algumas novidades no tratamento da ambliopia, mais conhecida como “olho preguiçoso”. Os novos tratamentos ainda estão em fase de estudos, mas trazem uma perspectiva importante […]

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Tratamento da ambliopia ganha novas abordagens

No último congresso da AAPOS (American Association for Pediatric Ophthalmology and Strabismus), que ocorreu no último mês de abril, nos Estados Unidos, foram apresentadas algumas novidades no tratamento da ambliopia, mais conhecida como “olho preguiçoso”. Os novos tratamentos ainda estão em fase de estudos, mas trazem uma perspectiva importante para os oftalmologistas infantis.

A primeira abordagem, ainda em fase de estudos pré-clínicos, é o uso da tetrodotoxina (TTX). A substância é injetada diretamente na retina do olho saudável, com o objetivo de suspender, temporariamente, sua função. Com isso, obriga o olho amblíope a desenvolver novas conexões com o cérebro.

Os resultados dos estudos pré-clínicos surpreenderam os pesquisadores. Isto porque houve a recuperação completa da resposta visual em todos os modelos animais, bem como a resposta ocorreu mesmo naqueles fora da fase crítica do desenvolvimento da visão.

Tratamento da ambliopia comTreinamento dicóptico deve chegar ao Brasil nos próximos anos

A outra novidade é o treinamento dicóptico, que está numa fase mais avançada de desenvolvimento. Inclusive, já está disponível em alguns países e deve chegar ao Brasil nos próximos anos.

O treinamento dicóptico é baseado no uso de óculos especiais, semelhantes aos usados para contemplar o eclipse solar. Os óculos possuem uma lente azul e a outra vermelha. A criança usa estes óculos enquanto assiste a um conteúdo específico, fornecido pela empresa detentora da tecnologia. Enquanto isso, o oftalmologista consegue monitorar, remotamente, a posição do eixo visual da criança em tempo real.

O aplicativo desfoca o centro da visão do olho dominante, enquanto fornece ao olho preguiçoso uma imagem normal e nítida. A partir disto, ocorre o estímulo visual que obriga o olho amblíope a processar as imagens. Na medida em que os olhos trabalham juntos, a criança desenvolve a visão binocular, o que também melhora a acuidade visual.

O treinamento dicóptico é visto como uma abordagem promissora para a ambliopia, tanto em crianças como em adultos.

Uma nova era no tratamento da ambliopia

Segundo Dra. Marcela Barreira, oftalmopediatra e especialista em estrabismo, as terapias binoculares são baseadas no aproveitamento da neuroplasticidade, ou seja, na capacidade de criar novas conexões neurais entre os olhos e o cérebro.

“Os estudos apresentados no congresso são animadores, pois mesmo crianças que já passaram da fase crítica do desenvolvimento visual, mostraram melhoras na visão binocular. O mesmo ocorre em adultos amblíopes”.

“Hoje, o tratamento padrão para o olho preguiçoso é o tampão. Contudo, existe um limite de idade para alcançar os resultados esperados. Para além disto, a adesão ao uso do tampão por crianças é uma barreira importante. Portanto, é bastante animador saber que teremos, em breve, novas abordagens para tratar a ambliopia, tanto em adultos, como em crianças”, comenta Dra. Marcela.

Diagnóstico precoce é a chave para bons resultados  

Independentemente dos novos tratamentos, a ambliopia é uma das principais causas de baixa visão em crianças, afetando de 2 a 4% da população infantil. O olho preguiçoso pode se desenvolver em crianças com estrabismo, erros refrativos e doenças oculares, como catarata e glaucoma congênitos.

“Todas as causas da ambliopia são detectáveis e tratáveis, mas para isso é preciso conscientizar os pais a respeito da importância das consultas oftalmológicas de rotina, desde os primeiros meses de vida. O diagnóstico e o tratamento precoce da ambliopia ainda são a chave para garantir um bom desenvolvimento da visão”, finaliza Dra. Marcela.

 

Dra. Marcela Barreira é neuroftalmologista, é oftalmopediatra e especialista em estrabismo. 

 O consultório fica em São Paulo, na região dos Jardins.

Para mais informações, ligue para (11) 3266-2768

 

 

 

 

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Estrabismo e olho preguiçoso – tudo que você precisa saber https://homolog.marcelabarreira.com.br/estrabismo-olho-preguicoso/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/estrabismo-olho-preguicoso/#respond Thu, 18 Apr 2024 18:40:26 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=2661 O estrabismo pode levar ao desenvolvimento do olho preguiçoso, termo popular para a ambliopia. Na verdade, o desalinhamento do eixo visual é responsável por cerca de metade dos casos de olho preguiçoso. A ambliopia é caracterizada pela redução visual em um ou nos dois olhos, devido à falta de estimulação adequada durante o desenvolvimento da […]

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O estrabismo pode levar ao desenvolvimento do olho preguiçoso, termo popular para a ambliopia. Na verdade, o desalinhamento do eixo visual é responsável por cerca de metade dos casos de olho preguiçoso.

A ambliopia é caracterizada pela redução visual em um ou nos dois olhos, devido à falta de estimulação adequada durante o desenvolvimento da visão, que ocorre fora do útero e se completa até por volta dos 7 anos de idade.

Segundo Dra. Marcela Barreira, oftalmopediatra especialista em estrabismo, a ambliopia se desenvolve na infância e pode ter diferentes origens. A mais comum é quando a criança apresenta estrabismo. “Temos ainda a ambliopia causada por erros refrativos, como a miopia e o astigmatismo e, por fim, a ambliopia por privação de estímulo. Esta última está associada à catarata e glaucoma congênitos, entre outras condições”.

Estrabismo leva à ambliopia por conflitos nas imagens captadas pelos olhos

Para entender a ambliopia é preciso compreender um pouco melhor o processamento das imagens pelo cérebro. “Cada olho capta uma imagem e a envia ao cérebro. O órgão funde as duas imagens em uma única. Esta é a chamada visão binocular, que depende, portanto, da capacidade de fusão das imagens pelo cérebro”, explica Dra. Marcela.

A visão binocular nos permite enxergar um campo visual mais amplo, além de ser essencial para calcular a noção de profundidade e vermos imagens em 3D. O estrabismo leva ao olho preguiçoso devido ao conflito nas imagens captadas pelos olhos. O cérebro passa a ignorar a imagem captada pelo olho com o desvio e opta pela imagem do olho saudável.

Entretanto, esta supressão por tempo prolongado, especialmente durante o período considerado crítico para o desenvolvimento visual, que é por volta dos 2 anos de idade, e que se completa por volta dos 7, pode levar a uma condição irreversível. Ou seja, sem tratamento a criança vai perder a visão binocular e a imagem do olho saudável será melhor do que a do olho com o estrabismo.

Como saber se a criança com estrabismo desenvolveu ambliopia?

Alguns tipos de estrabismo são bastante evidentes, como o estrabismo convergente que leva ao desvio do olho para dentro, em direção ao nariz. Já o estrabismo divergente, que leva o olho em direção às orelhas, pode passar despercebido dos pais e até mesmo do pediatra. Isto porque costuma ser intermitente, ou seja, ora o olho está alinhado, ora desalinhado.

“Contudo, o mais importante é saber que todos os tipos de estrabismo podem levar ao desenvolvimento do olho preguiçoso. Desta forma, crianças estrábicas precisam de acompanhamento oftalmológico regular”, comenta Dra. Marcela.

Existem alguns indícios que podem levar à suspeita da ambliopia como:

  • Dificuldade em pegar e arremessar objetos
  • Falta de jeito – esbarrar em móveis, cair demais, tropeçar de forma frequente
  • Apertar os olhos ou fechar um olho para conseguir enxergar
  • Virar ou inclinar a cabeça na tentativa de enxergar
  • Dificuldade em participar de esportes, andar de bicicleta, patins etc.

Como é o tratamento do estrabismo e do olho preguiçoso?

Os tratamentos do estrabismo e do olho preguiçoso são diferentes, embora muitas pessoas pensem o contrário. O estrabismo é corrigido por meio de uma cirurgia que vai eliminar o desvio e alinhar os olhos. A exceção é o estrabismo acomodativo causado pela hipermetropia. Nestes casos, o desvio é eliminado com o uso de óculos.

Já o tratamento do olho preguiçoso é feito com o uso do tampão, termo popular para a terapia de oclusão ocular. “O tampão é colocado no olho bom para que o cérebro use a imagem captada pelo olho com o desvio, no caso do estrabismo. O uso do tampão costuma apresentar resultados melhores quando iniciado antes dos 5 anos, embora também traga benefícios em outras faixas etárias”, aponta Dra. Marcela.

A duração do tratamento depende de vários fatores e é definida de acordo com as necessidades e condições da criança. Porém, podemos dizer que o tampão pode ser usado durante semanas ou meses, tudo depende da resposta à terapia”, comenta a oftalmopediatra.

“Enquanto a criança estiver com o tampão, os pais precisam encontrar meios de estimular o olho a trabalhar. Ou seja, promover atividades como pintar, montar quebra-cabeças, brincar com peças de montar, brincar ao ar livre. Além de ajudar o olho “preguiçoso” a funcionar, as brincadeiras tiram o foco da criança no tampão”, finaliza a especialista.

Dra. Marcela Barreira é neuroftalmologista, é oftalmopediatra e especialista em estrabismo. 

 O consultório fica em São Paulo, na região dos Jardins.

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O que é estrabismo convergente congênito? Sinais e Tratamento https://homolog.marcelabarreira.com.br/o-que-e-estrabismo-convergente-congenito/ https://homolog.marcelabarreira.com.br/o-que-e-estrabismo-convergente-congenito/#respond Wed, 28 Feb 2024 15:03:29 +0000 https://marcelabarreira.com.br/?p=2636 O estrabismo convergente congênito é aquele em que o desvio do eixo ocular está presente desde o nascimento. Neste estrabismo, o desalinhamento é convergente, ou seja, o olho se desvia para dentro, em direção ao nariz. Outra característica é que o desvio é constante e muito evidente já nos primeiros dias de vida. Segundo Dra. […]

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O estrabismo convergente congênito é aquele em que o desvio do eixo ocular está presente desde o nascimento. Neste estrabismo, o desalinhamento é convergente, ou seja, o olho se desvia para dentro, em direção ao nariz. Outra característica é que o desvio é constante e muito evidente já nos primeiros dias de vida.

Segundo Dra. Marcela Barreira, oftalmopediatra especialista em estrabismo, uma das principais dúvidas dos pais é como diferenciar o desvio ocular normal, que ocorre em recém-nascidos, do estrabismo congênito.

“A visão se forma fora do útero e se está completamente desenvolvida por volta dos 7 anos de idade. Ao nascer, o bebê não possui a capacidade de focar as imagens. Por isto, o bebê pode apresentar. até os 4 meses de vida. desvios oculares em situações em que ele tenta focar algum objeto ou pessoa”.

“Porém, após os 4 meses, o bebê começa a desenvolver o foco e estes desvios desaparecem. Já o desvio causado pelo estrabismo convergente congênito está presente o tempo todo, mesmo quando o bebê não está tentando enxergar algo”, comenta.

Causas do estrabismo convergente congênito

O estrabismo congênito pode afetar qualquer bebê. Contudo, é mais prevalente naqueles que nascem antes do tempo e/ou que apresentam baixo peso ao nascer. Para além da prematuridade, algumas síndromes genéticas estão associadas ao estrabismo convergente congênito.

Alguns estudos ao longo dos anos apontaram que o estrabismo congênito também pode estar associado a mutações genéticas, que afetam o eixo visual. Por fim, filhos de pais com estrabismo também têm um risco aumentado para desenvolver o estrabismo.

Estrabismo convergente congênito exige tratamento precoce

A correção cirúrgica do estrabismo convergente congênito deve ser feita entre os 10 e 18 meses de vida. “A precocidade do tratamento é uma tentativa de restaurar, nem que seja minimamente, a visão binocular. Infelizmente, cerca de metade dos bebês com estrabismo convergente congênito desenvolve o olho preguiçoso, que afeta a visão binocular, comenta Dra. Marcela.

A visão binocular é a capacidade do cérebro em fundir as imagens captadas pelos dois olhos em uma só. “Ela é essencial para enxergamos um campo visual maior e para termos a noção de profundidade. Todos os tipos de estrabismo afetam o desenvolvimento da visão binocular. Mas a forma congênita é a que mais pode prejudicar a visão com os dois olhos”, adiciona a especialista.

“Nas crianças com estrabismo, o cérebro ignora a imagem captada pelo olho afetado pelo desvio, dando preferência à imagem captada pelo olho saudável. Portanto, o olho com o desvio não tem a mesma chance de se desenvolver como o olho alinhado, o que pode resultar em problemas na visão binocular, explica Dra. Marcela.

Estrabismo convergente congênito costuma ser diagnosticado ainda na maternidade

O diagnóstico do estrabismo congênito pode ser feito ainda na maternidade, principalmente quando o exame é realizado por um oftalmologista. Mas, nem sempre isto acontece. Portanto, caso os pais notem o desvio do olho no bebê, o ideal é procurar um oftalmologista infantil para uma avaliação.

Cirurgia é segura

“Para aliviar a ansiedade dos pais cujos filhos nasceram com o estrabismo congênito, é importante dizer que a cirurgia é segura e relativamente tranquila. Além disto, na maioria dos casos o desvio é corrigido, assegurando o desenvolvimento normal ou muito próximo do normal da visão. Quanto antes a cirurgia for feita, melhores serão os resultados”, finaliza Dra. Marcela.

Dra. Marcela Barreira é neuroftalmologista e oftalmopediatra e especialista em estrabismo. 

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